sexta-feira, 30 de novembro de 2012
"Passos pequeninos, mas firmes, em direcção a um Mundo melhor"
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Ambulância do Joãozinho em STP
terça-feira, 19 de junho de 2012
Joãozinho Presente nos VIII Jogos Desportivos da CPLP
Os VIII Jogos Desportivos da CPLP vão decorrer em Mafra entre 7 e 15 de Julho de 2012.
E o "nosso" Joãozinho será a mascote desta edição dos Jogos da CPLP!
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Odete e a Costura AfroChik
sábado, 2 de junho de 2012
1 de Junho – Dia Mundial da Criança
sábado, 5 de maio de 2012
De Novo!
A verdade é que no meio de tantas peripécias, contratempos e aventuras (porque não dizê-lo?), com uma boa dose de alegria e boa disposição pelo meio, a continuidade do blog acaba por ser prejudicada... Antes de pisar o solo santomense pela 1ª vez, alguém me disse que seria nesta terra distante que eu ia aprender a valorizar o dia-a-dia e a viver no presente (sem lamentações pelo passado ou pré-ocupações pelo futuro), e de facto tinha razão! Dou por mim a tirar muito poucas fotografias e a nem sequer utilizar a opção de filmar da máquina porque, é agora claro para mim, o importante não é documentar os momentos mas sim vivê-los, da forma mais real e intensa que nos for possível. Mas há coisas que não se coadunam com o carpe diem e, portanto, cá estou eu a arregaçar as mangas e meter mãos à obra para actualizar o Joãozinho Leve-Leve :)
Preparem-se para a rajada de novidades que aí virão!
domingo, 6 de novembro de 2011
Regresso ao Passado – Visita de Manuela Eanes
domingo, 16 de outubro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
"Sangue" fresco
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
InStAnTe SaÚdE: SUPORTE BÁSICO DE VIDA
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Acção Global
Uma vez que com este projecto de parceria entre o Hospital de S. João e o Hospital Central Ayres Menezes haviam sido iniciadas acções para o tratamento da desnutrição a nível hospitalar, foi realizado um esforço particular no alargamento dos cuidados no âmbito desta problemática.
Acção hospitalar central
O trabalho desenvolvido em torno da desnutrição iniciou-se, como já tiveram oportunidade de ler aqui, pela criação de uma enfermaria independente para as crianças desnutridas e pela introdução de recomendações (OMS) no tratamento da desnutrição aguda grave. Na tentativa de alargar o atendimento a estas crianças mantendo atitudes uniformes foi criado um protocolo de seguimento para estas mesmas crianças, de forma a manter os cuidados após a alta e também como forma de seguir as crianças desnutridas sem necessidade de internamento em ambulatório.
As crianças que são observadas no serviço de urgência e na consulta externa nas quais é detectada malnutrição podem, consoante a gravidade, necessitar de internamento ou apenas de acompanhamento em consulta diferenciada. Um seguimento rigoroso destas crianças prevê uma intervenção multidisciplinar que abrange cuidados nutricionais, emocionais, psico-sociais e económicos que necessitam de atenção e dedicação particulares, e foi na perspectiva de atingir tal objectivo que se procurou estabelecer um protocolo de seguimento.
Foi apresentada esta proposta de seguimento em reunião com a direcção do hospital e com o restante corpo clínico.
No âmbito de formação de equipas multidisciplinares é naturalmente obrigatório capacitar todos os seus intervenientes, nomeadamente a equipa de enfermagem que tem um papel de relevo nos cuidados a estas crianças. Assim, foram realizadas sessões com os enfermeiros do hospital sobre o crescimento infantil normal edesvios da normalidade, assim como atitudes preventivas da desnutrição e outros cuidados primários.
Junto das mães e cuidadores das crianças malnutridas o trabalho é moroso e os resultados positivos difíceis de alcançar. Auxiliam a equipa médica e de enfermagem uma equipa de nutricionistas que intervém mais intensamente no momento da alta hospitalar com recurso a apoios à família na forma de alimentos e indicações dietéticas através da utilização de alimentos mais facilmente disponíveis e acessíveis. Para além desta intervenção foi proposto a essa equipa um esforço extra para realização de sessões de esclarecimento semanais no serviço junto das mães e cuidadores destas crianças com desnutrição aguda grave. Desta forma tem vindo a estabelecer-se uma maior confiança e adesão ao tratamento.
Além do protocolo de seguimento da criança desnutrida, foi também proposto junto da Direcção do Hospital e na mesma reunião acima mencionada um modelo de referenciação aos Centros de Saúde dos distritos destas crianças, que poderão ser inicialmente orientadas em consulta hospitalar e assim que possível transferidos os seus cuidados para a sua área de residência.
A articulação entre os cuidados hospitalares e os cuidados primários é primordial para o sucesso da intervenção nutricional no seguimento destes casos e, de um modo geral, essencial para o estabelecimento de um programa de combate à desnutrição.
Acção distrital
Foram realizadas também reuniões com os Delegados de Saúde de todos os distritos de S. Tomé onde foi apresentada a proposta de intervenção e acompanhamento da criança desnutrida, os referidos protocolos de seguimento e de referenciação aos cuidados nos Centros de Saúde.
Também nos Centros de Saúde foram realizadas sessões com todos os enfermeiros que aí prestam assistência à criança sobre o crescimento infantil, desvios da normalidade e identificação de crianças desnutridas, atitudes preventivas e terapêuticas da desnutrição.
O corpo clínico a nível distrital é reduzido e a assistência médica reservada para os casos mais graves ou complexos, pelo que os enfermeiros têm um contacto privilegiado com as crianças aparentemente sem doença que são assistidas nos Centros de Sáude. Capacitar estes profissionais para o reconhecimento das crianças em risco ou com graus ligeiros de desnutrição é um passo essencial para a implementação de um programa de combate à desnutrição.
Acção comunitária
Como já tive oportunidade de referir, foi estabelecida uma parceria com a HELPO em Outubro do corrente ano , que prevê intervenções a nível das comunidades sobre problemas frequentes, incidindo particularmente na prevenção primária. Propôs-se portanto que fossem realizadas sessões sobre Nutrição nos primeiros anos de vida, completando assim o trabalho realizado a nível dos cuidados de saúde do país.
As sessões foram realizadas nas comunidades de São José e da Saudade, seguindo-se Santa Catarina e Bemposta.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Reconstrução
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Novas parcerias
Após a nossa chegada foi estabelecida uma parceria com a organização HELPO, cuja actividade podem pesquisar aqui http://www.helpo.pt/
A primeira sessão nas comunidades decorreu no início de Outubro, ainda com a colega Rute Moura e subordinou-se ao tema “tratamento de feridas”.
Posteriormente realizou-se uma reunião com os representantes locais desta organização, em que se procurou perceber quais eram principais necessidades das várias comunidades, recorrendo à experiência daqueles que se dedicam a este tipo de actividade desde há vários anos e que estão presentes em S. Tomé e Príncipe desde o ano passado.
Em S. Tomé
Olá a todos!
Chamo-me Daniela, sou interna de especialidade de Pediatria, e estou em S. Tomé e Príncipe para dar continuidade ao projecto de colaboração entre o Serviço de Pediatria do Hospital de S. João e o atendimento à criança em S. Tomé e Príncipe.
Estou acompanhada da colega Susana Branco, também interna de Pediatria, que comigo abraçou este projecto.
Fomos precedidas pela colega Rute Moura que nos integrou na actividade assistencial e formativa desenvolvida no Hospital Central Ayres Menezes e nos Centros de Saúde dos distritos de Lembá, Lobata e Água Grande.
O seu empenhamento e esforço, assim como dos nossos colegas Ricardo Bianchi e Américo Gonçalves, está espelhado em todas as estruturas em que nos movemos, mas principalmente nos rostos das mães e pais que com eles contactaram.
Hospital Central Dr Ayres Menezes
A nossa actividade desenvolve-se principalmente no Serviço de Pediatria I, com 64 camas, lotação esta muitas vezes excedida. O tipo de patologias mais frequentes são do foro gastrenterologico, respiratório e hematológico. Contactamos também com outras doenças infecciosas, aqui mais prevalentes do que em Portugal, como infecção por HIV, malária e parasitoses.
Enfermaria de Nutrição
Este espaço integrado no Serviço de Pediatria I, em funcionamento desde Julho deste ano, tem tido uma taxa de ocupação elevada, o que reflecte um pouco a dimensão da malnutrição a nível nacional. Mantém-se o protocolo estabelecido para reabilitação das crianças com desnutrição aguda grave segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, e associadamente tem sido feito um esforço para envolver todos os profissionais de saúde (enfermeiros, nutricionistas, médicos) nos cuidados especiais a estas crianças através de reuniões em que se discutem as formas de optimizar estes mesmos cuidados e corrigir as falhas.
No âmbito das conversas sobre Nutrição pudemos também inaugurar um espaço de refeição neste Serviço de Pediatria I.
Uma das maiores dificuldades continua a ser a manutenção dos cuidados nutricionais após a alta do internamento, uma vez que a desnutrição é resultado de factores sociais e económicos complexos e muito dependente de acções políticas de combate à pobreza e à fome.
Ainda o Hospital Central
Foi inaugurado no final do mês de Outubro o sector de Imagiologia do Hospital Ayres Menezes, com equipamento novo que permitirá o arranque da telemedicina em S. Tomé. A iniciativa desenvolvida pelo Instituto Marquês Valle Flôr contribuirá enormemente para a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população santomense e diminuirá certamente o número de deslocações a outros países para realização de exames complementares de diagnóstico. A segunda fase deste projecto que permitirá a realização de teleconsultas através dos hospitais portugueses está prevista para Fevereiro de 2011. Aliado à formação local de recursos humanos, será um marco importantíssimo para a Saúde no país.
Distritos
Pudemos integrar as sessões formativas já iniciadas sobre desidratação em contexto de diarreia aguda. No distrito de Lembá os profissionais de saúde que assistem as crianças compareceram e participaram com entusiasmo.
A existência de atitudes uniformes (naturalmente actualizadas, mas também contextualizadas), como sabemos, pode trazer grandes benefícios na assistência médica. São estas tentativas de uniformizar atitudes que poderão concorrer para uma melhor articulação entre os diversos locais de assistência (postos/centros de saúde e hospital) e favorecer uma melhoria na eficácia dessa mesma assistência.
Até já!
domingo, 31 de outubro de 2010
Formação integral - Do Hospital à comunidade
O funcionamento dos cuidados de saúde em rede é um modelo organizativo com benefícios reconhecidos. Se o leitor português pensar no nosso próprio país, no longo caminho percorrido em pouco mais de 3 décadas, a esse respeito, pode ter uma vaga ideia das dificuldades de funcionamento desse modelo no contexto santomense.
O primeiro problema passa pela inexistência de ensino universitário no país, nomeadamente, ausência de faculdade de medicina. Os profissionais médicos recebem formação pré-graduada em países e realidades médicas tão díspares como Cuba, Moçambique, Macau, Brasil e, em muito menor número, em Portugal; A formação pós-graduada só aconteceu em apenas uma minoria dos que se dedicam à saúde da criança.
Uniformidade
Para que a diversidade seja um ganho, e não dispersão, é vital chegar a acordo e compromisso conjunto, entre as diferentes partes, quanto a atitudes e práticas que devem imperar no dia a dia assistencial de todos quantos se dedicam ao atendimento da população pediátrica.
A introdução de protocolos assistenciais, entendidos de forma partilhada a todos os níveis desse sistema em rede, é uma das formas de contribuir para a uniformidade das práticas.
Aproveitando a ocorrência epidémica anual do surto de diarreia aguda na população infantil, que todos esperam ocorrer no fim da Gravana, foi feita, junto dos responsáveis hospitalares e comunitários, a proposta de um protocolo de actuação, baseado nas recomendações da OMS, publicadas em site próprio. Na sua elaboração, foram tidas em conta as orientações do AIDI (Atenção Integrada às Doenças da Infância), plano elaborado no início dos anos 90 pela OMS e UNICEF.
A nível hospitalar, foi feita apresentação descritiva, sob responsabilidade da Drª Neyda, pediatra cubana, revendo aspectos da etiologia, fisiopatologia, apresentação clínica e princípios de actuação terapêutica.
A nível comunitário, com a colaboração do Dr. Edgar Neves, foi, em primeira fase, agendada reunião de discussão do protocolo com os Delegados de Saúde de todas as regiões da ilha de São Tomé e da ilha do Príncipe.
O ambiente da reunião foi o de uma conversa amena, com troca de impressões e conhecimentos, reflexão compreensiva sobre práticas e comparação de realidades de saúde infantil muito diferentes.
Na proposta feita, o acento foi colocado sobre as questões de utilidade e segurança na abordagem terapêutica. Um tratamento é tanto mais útil quanto maior é a probabilidade de alterar a história natural ou de eliminar as complicações da doença - a primeira tónica foi então o tratamento e prevenção adequados da desidratação.
O uso muito frequente de anti-eméticos ( metoclopramida e prometazina) e de antibióticos ( mesmo em casos de diarreia sem características de desinteria, em criança saudável) foi uma das principais diferenças relativamente à prática portuguesa. A este propósito, reflectimos sobre segurança da terapêutica - aspecto de primeira importância em pediatria - a qual requer que se abandonem as atitudes que, sendo supérfluas, podem em simultâneo acarretar riscos, muitos não remediáveis perante recursos escassos.
Formação nos Centros de Saúde
Posteriormente, com acordo dos delegados, participei em acções de formação de profissionais de enfermagem, destacados a trabalhar nos centros e postos de saúde das áreas de Caué, Canta-Galo e Mé-zochi.
Aproveitando tudo o que aprendi com a reunião junto dos delegados de saúde, agora a formação foi centrada no reconhecimento dos sinais de desidratação, na correcta classificação quanto à gravidade e no seguimento dos algoritmos de actuação, passo a passo, com cenários clínicos hipotéticos e discussão em jeito de pergunta-resposta.




Foi elaborado ainda um teste de resposta múltipla, a que os enfermeiros responderam no pré e no pós-formação, destinado a correcção e auto-avaliação.
Quando comecei a escrever pensei que seria o meu último post, mas ainda falta um.
Até breve.
sábado, 23 de outubro de 2010
Díade Mãe-Filho em São Tomé
A Mulher
Impressiona qualquer um a Mulher santomense: carrega alguidares de roupa durante quilômetros até ao rio, sem nunca perder o equilíbrio, e geralmente tem o peso adicional do bebé, que transporta sempre às costas, enfaixado em panos de cores garridas. Se marco uma consulta, e quando consigo que a mãe entenda o quão importante é não faltar, fazem 10 ou mais quilômetros a pé, depois de se levantarem de madrugada, e chegam ao serviço do hospital ainda antes de mim.
A taxa de natalidade da Ilha é das maiores do mundo, e a primeira gravidez ocorre em idade muito jovem, quase invariavelmente; não é raro encontrar mulheres que, com a mesma idade que em Portugal se inicia o estudo universitário, têm já um ou dois filhos.
Acresce que, mercê da cultura do pais, a mulher santomense se ocupa de tudo o que diz respeito à vida familiar, sem nenhuma actividade que lhe garanta sustento próprio e, pelo paradigma contemporâneo do Ocidente-Norte, a independência.
No que respeita à vivência familiar, essa dedicação a tempo inteiro constitui, em regra, o único elemento de constância relacional para a criança; observo também a carência de instituições comunitárias, como creches, escolas e parques infantis, capazes de garantir o estímulo complementar para o desenvolvimento integral da criança santomense. Esse desenvolvimento passa, então, por estas mães e pelo que são capazes de fazer enquanto desempenham esse papel.
A Criança
Mal nascem, independentemente do peso, são transportados às costas das mães, e começam a deambular muito cedo (alguns com 9 meses já dão os primeiros passos decididos). Em contraste com o excelente desenvolvimento motor, muitas crianças são muito pouco verbais, e é mesmo difícil conseguir que digam o nome ou a idade até depois dos 3 anos. Durante as consultas a maioria é calma, curiosa e as birras e as exigências perante os pais são raras. Crescem livremente, saudáveis ou doentes. Quando têm idade para ir à escola, andam quilômetros na berma da estrada para receberem a lição, sem medo, sozinhas.
A maioria não tem o leite, a carne ou o ovo como parte da sua alimentação. No contexto actual, o lúdico e a protecção da criança ainda não são valores firmemente assentes no quotidiano santomense.
Operação Nariz Vermelho no Hospital Ayres de Menezes
Com muito agrado, recebi a proposta de colaborar, participando, na primeira Operação Nariz Vermelho realizada no pais. A ONG T.I.A., representada pela Drª Mafalda Velez Horta, jurista de formação, e a viver na ilha há mais de dois anos, foi a entidade responsável pela organização e logística do evento.
A proposta nasceu de um encontro de sensibilidades sobre a necessidade de estimular as crianças internadas trazendo-as até um tempo de brincadeira pensado para elas.
Na iniciativa participaram voluntários santomenses e portugueses.
Surpreendidas de início...
Rendidas pouco depois...
O lúdico é ainda o recipiente ideal para passar mensagens, dentro de um processo de apropriação cultural.
O transporte da criança em posição lateral potencia os momentos de interacção mãe-filho, rosto com rosto, modelando afectos, linguagem e competências sociais em mãe e filho.
A ambição maior deste projecto é não ser um evento extraordinário, mas antes, repetindo-se, entrar na rotina hospitalar e nos hábitos da comunidade.
Abraço e até próximo post.
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