quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Visitas durante a Gravana

Chegada à ilha em plena Gravana, pude contar com visitas de profissionais do Hospital São João, ao longo dos meses de Agosto e Setembro.

Os cuidados diferenciados beneficiam o indivíduo

Representando o Serviço de Cirurgia Pediátrica do HSJ, o Dr Bessa Monteiro permaneceu uma semana no Hospital Ayres de Menezes. Durante a sua visita foi feita a reavaliação das crianças submetidas a cirurgia em Portugal ao longo deste ano. Sendo uma visita programada, foi possível organizar um tempo de consulta para avaliar crianças referenciadas pelos profissionais locais que pudessem beneficiar de intervenções cirúrgicas diferenciadas. As lesões malformativas (urogenitais, das extremidades) e fenda lábio-palatina foram os principais motivos de referenciação.
Com grande simplicidade, o Dr Bessa Monteiro preparou também uma breve exposição sobre os problemas cirúrgicos mais frequentes em ambiente ambulatório e respectivo tratamento. Durante a exposição foram muitos os momentos de discussão e troca de impressões entre o orador e os cirurgiões do Hospital Ayres de Menezes. Antes da despedida, tempo ainda para um jantar com o Dr Edgar Neves, onde, além do saldo positivo da visita, foram realçados os laços de amizade que unem os dois países e um património inestimável que partilham - a Língua portuguesa.



O Homem como Sujeito e Fim da Medicina

No final de Agosto, recebemos a visita da Drª Diana, profissional com experiência de campo na avaliação e intervenção nutricional na comunidade em países pobres da América do Sul e África. Em Portugal, integra a equipa de Nutrição pediátrica do Hospital São João.
Durante a estadia do meu colega Ricardo Bianchi, foi iniciado um estudo na população infantil da ilha para caracterização do seu estado nutricional, com formação e participação de enfermeiros e técnicos de nutrição locais, sob orientação da Drª Diana. O estudo, transversal, será realizado com a coordenação do Prof. António Guerra e com o apoio do Serviço de Estatística do Hospital São joão.
Os resultados da primeira amostra de crianças avaliadas (totalizando cerca de 90), apresentados em reunião hospitalar, sugerem que, além do problema da desnutrição, o problema da obesidade infantil também terá expressão significativa na ilha. Como sinalizado pela OMS, a obesidade, nomeadamente na população pediátrica, é um problema em crescendo, inclusivé em países pobres, fruto da deterioração dos hábitos alimentares, onde primam os produtos processados.
No contexto santomense, a ausência de agricultura e pecuária em média-grande escala, implica importação da maioria dos produtos alimentares, incluindo bens de primeira necessidade em nutrição infantil, como é o caso do leite, o que acarreta custos impossíveis de suportar para a grande maioria das famílias.
Durante os próximos meses, o estudo deverá ser alargado para abranger cerca de mil crianças, de forma a garantir representatividade e significado. A dimensão deste estudo representa um esforço no sentido de se conseguirem apontar caminhos e medidas de Saúde pública para melhorar a nutrição de todas as crianças da ilha como objectivo último. É bom ver a ciência ao serviço das pessoas.


Voluntariado na comunidade de Plateau

Além das minhas funções no hospital e nos centros de saúde, tive oportunidade de participar como voluntária na assistência a crianças pertencentes à comunidade de Plateau, uma das roças mais pequenas da Ilha, e pertencente à área de intervenção da Santa Casa da Misericórdia.
À minha chegada, acompanhada pela Filipa (uma das voluntárias da Santa Casa), parecia que não haveria crianças para a consulta. Mas, assim que se abriu o posto de saúde local, uma estrutura em madeira pintada, as crianças e as mães aproximaram-se devagarinho da porta.


Fui observando as crianças uma a uma, algumas merecendo referenciação a consulta hospitalar.


Um dos pequenos heróis nesse dia, chamado Natalino, tinha uma ferida profunda no 4º e 5º dedos da mão provocada por um machim. Suportou sem queixas a retirada do lenço que cobria a ferida, a desinfecção e a nova ligadura.


À medida que vou conhecendo estes pequenos e as suas histórias, vou alcançando, muito além do intelectual, o significado da palavra resiliência.
Abraço para todos de STP.

4 comentários:

Americo disse...

Como sempre disse, não podia ter tido melhor substituta!
Um beijo

Américo

Jorge disse...

Olá,
como santomense, gostaria de agradecer-vos pelo esforço e dedicação que tem primado o vosso trabalho e saudar o projecto SPT.
Estudo Medicina em Coimbra, pelo que espero em breve dar a minha contribuição em prol do desenvolvimento das crianças de STP.

obrigado e continuação de bom trabalho!

Anónimo disse...

Estes posts merecem um único comentário: Maravilhosos!

Filipa disse...

Foi grande e preciosa a tua ajuda em plateau amiga! + 1ma x thks!! **